Estar farto, não aguentar mais, desesperar por uma mudança, é incómodo. Gostaria dizer que não, mas preocupa-me a falta de sentimento por uma causa, a falta de vontade para coisas essenciais como o carinho. Triste, sinto-me triste com a rotina pouco mundana, normal, banal. O dia-a-dia não faz parte do meu ideal de vida, a ignorância forçada da proximidade, mina qualquer vontade de toque com pele, e a sua suavidade não chega a ser sentida. Hipnotizados pela TV não se acorda do fósforo, dinâmica das imagens, historias quanto reles são, o pouco espírito transmitido, não chega para todos os segundos perdidos de suor não segregado. Anseio por momentos de solidão, puros e duros, aqueles que são contabilizados ao nanossegundo, e que sentes cada nota mesmo antes que te chegue ao ouvido, ao ponto em que antecipas as duas próximas faixas, de um álbum qq de chill-out escolhido ao acaso. O sol de fim de tarde enche a sala de amarelo-torrado, forçando um suspiro pelo momento seguinte que não chega, quando chega dura uma eternidade e para sempre, não foge, brinca com as sombras provocadas pelos recantos dos móveis e ajudada pelo som baixinho e calmo da tarde que também teima ficar. Tou farto mas pouco... É ficar farto que me da o sublime prazer destes momentos. Obrigado, mas pouco, porque desgosto da falta de carinho, falta de afecto, do toque da pele suave, quente. Quero mais.
Saturday, June 30, 2007
Farto
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