Os teus olhos safira... como brilharam ontem à noite. Culpa minha eu sei mas foi por querer, foi por prazer... mero prazer, prazer de te dar prazer, porque gosto de te tirar o descanso, e caminhar por ti no escuro, encontrar um cantinho, uma viela, um beco onde te procuro, com esse sorriso vertical... simples e oculto que procuro enaltecer, quando os lábios quase a tocar, porque o véu ainda os cobre e melhor assim tal qual mistério oriental, o aroma que sinto do ar, esse perfume das arábias que não resisto, e que sempre me obriga a começar, cruzada atrás de cruzada para te encontrar, só porque não gostas de caçar, gosto de ser perseguido, apanhado, amarrado, mas não! Achas que não mereço tal glória de ser caçado por ti, ou talvez não saibas que o gosto. Digo-to e repito, adoro! Mas atrais-me com um gemido de trás dos montes para onde sigo e fazes-me perder novamente o norte numa caverna escura e húmida, onde escondes um monstro rosa, tenho de sair, escapar não posso ficar para sempre aqui! Quase exausto de adrenalina fujo para os montes onde te senti quando passei a correr, procuro lá no topo por trás e em redor de pedras que não estavam ali antes. Voltaste a iludir-me porque te dá prazer, toda esta lenta correria, volto a procurar à volta mas escorrego por ali abaixo de volta a esse deserto que outrora foi fértil em vida e que facilmente atravesso pois sei onde encontrar um oásis para acalmar a sede, descanso o suficiente para continuar a minha caminhada. Volto a imaginar esse véu que te cobre os lábios, tenros e húmidos, será miragem? Não, acabei de me saciar! Alcanço e o meu tacto não engana, como que por destino, estás aqui, o véu que te cobria foge por entre os meus dedos e cai a teus pés descalços, procuro os teus lábios húmidos e quentes, mas fervem-me o corpo! Sugam-me para dentro de ti tal fúria desmesurada, deixo me ir porque as forças me faltam, sinto que ali posso descansar, presinto que aqui me vais dar prazer, por isso adormeço a dançar à musica do teu gemido. Acordo sem saber onde estou, procuro o teu calor, mas percebo que já não te posso caçar, desarmaste-me! Deixaste-me indefeso, empunhas a minha lança com que outrora pensei caçar-te, maneja-la tal qual Amazona e já não controlo a situação. O caçador é agora a presa, estou submisso, espetas-me a carne com os teus dedos mas não dói, ao invés dá-me um prazer masoquista, porque o fazes? Sabes que gosto! Retribuo-te, não hesitas, e gemes! Como gosto de to trazer e dar-te o prazer! Não paras mas digo-te que o tens de fazer, que assim vais-me enlouquecer! Os teus olhos safira cerram-se, é a minha oportunidade de voltar, consigo, recupero o controle, e ver-te deitada indefesa aumenta a minha cólera, vou-me vingar, uso a lança, mas não sangras, que feitiço é este, não compreendo, como posso caçar se não te consigo como troféu, tento, tento aqui, ali, é impossível deveria ser diferente! Mas não... é igual, o chão treme, serei eu, serás tu? Os dois troféus um do outro, exaustos da batalha, saudamo-nos respeitosamente com dois guerreiros devem, limpamos armas, olho o brilho nos teus olhos safira e tenho PAZ.
